sexta-feira, agosto 08, 2008

Fórum de Articulação Popular do Baixo São Francisco

Encontro dos Educadores e Comunicadores Populares

Data: 22 a 24 de Agosto de 2008

Local: Convento São Francisco em Penedo-AL

OBJETIVO

Consolidar a Rede de Educomunicadores Populares do Baixo São Francisco

OBJETIVO ESPECÍFICO

  • Construir Mapa de Atuação, Experiências e Veículos dos Educomunicadores partindo dos Processos de atuação nos Núcleos de Articulação Popular
  • Ajudar na formação de sistematização de informações
  • Utilização de veículos de comunicação

PROGRAMAÇÃO

Dia 22/08

17:00 – Chegada

18:00 – Jantar

19:30 – Abertura, Apresentação e Dinâmica de Entrosamento

Dia 23/08

07:00 – Café

07:30 – Mística e Dinâmica de Comunicação

8:00 – Mapa de Atuação – contexto da bacia - construir coletivamente: Onde estamos, O que fazemos, Como fazemos, Maiores Problemas

10:00 – Lanche

10:30 – Mapa das Experiências: Intercâmbio de Experiências de Educomunicação Popular (Fichas): museu popular, cartografia social, teatro, programas de rádios, etc.

12:00 – Almoço

14:00 - Mapa dos Veículos: Identificar os veículos de comunicação que dispomos para divulgar: uso do computador, internet, blog, uso de rádio, uso do teatro, boletim informativo, etc. (Fichas).

Aprendendo a Sistematizar as Informações: escolher casos para sistematizar noticia e socializar no Boletim (Usar a Cartilha)

Noite: Forró Comunicativo e Cultural

Dia 24/08

07:00 – Café

08:00 – Mística e dinâmica de comunicação

09:00 – Consolidação da Rede: incorporar no mapa construído a estratégia que vamos usar pra fazer comunicação popular em torno das questões do São Francisco

Aplicação prática do Uso da Cartilha dos Educomunicadores nas reuniões e encontros

Encaminhamentos para o Encontro da Bacia

Agenda dos Educomunicadores

Avaliação e despedida

12:00 – Almoço e retorno

São Francisco Vivo: Terra Água, Rio e Povo!

sexta-feira, agosto 01, 2008

Notícias do Baixo São Francisco

Fórum de Articulação Popular do Baixo São Francisco – CPP NE - Julho de 2008

Reunião Equipes CPP e CPT
Reunião nos dias 09 a 11 de julho em Salvador entre CPP e CPT na Bacia do São Francisco discutiu a Identidade e Missão no trabalho específico da Articulação Popular da Bacia do rio São Francisco os principais desafios e organização junto às forças vivas do São Francisco. O encontro avaliou as ações de luta na Bacia, indicou a identidade do projeto a serviço da Articulação com o objetivo principal de Revitalização do Velho Chico. Rediscutiu planejamentos e metas a serem mais bem trabalhados junto ao Conselho da Bacia. A Reunião do Conselho está definida para os dias 07 e 08 de agosto em Salvador.



Cartografia dos Pescadores Artesanais do Cânion São Francisco
A Equipe da Articulação Popular e o NECTAS vem trabalhando junto aos pescadores artesanais do Cânion São Francisco entre Sergipe, Alagoas e Bahia a Cartografia Social. O trabalho vem apontando a identidade dos Pescadores e Pescadoras que exerce a atividade tradicional nesta região do Cânion, seus principais problemas e perspectivas. No trabalho georreferencial, os pescadores apontaram os desafios relacionados aos impactos das empresas na intensificação de criatórios de tilapia em tanque rede, a falta do pescado por causa das barragens e os prejuízos que poderão sofre com a criação da Unidade de Conservação Integral. “Os pescadores que já foram prejudicados com as barragens, se a gente for impedida de pescar por causa do Monumento, o rio vai ficar só pra turista e nós vamos poder pescar aonde?” Disse Nildo da Silva – pescador da toca do Pinga-Pinga no Cânion. Os pescadores ainda apontam as dificuldades da ação do poder público. “Ninguém está preocupado com pescador artesanal, nem o poder local, nem estadual, nem a SEAP, ele só vem impor a piscicultura mas, não tem interesse nenhum pelos pescadores que vive da pesca artesanal, é muito descaso”. Afirma o pescador Afonso de Delmiro Gouveia/AL.


Canoa de Tolda
Por uma Eco Vazão
A Articulação vem junto com Pescadores no Baixo São Francisco realizando discussão sobre a Situação da Baixa Vazão na Foz. Junto com a ONG Canoa de Tolda o diagnóstico da realidade aponta um verdadeiro caos na luta pela sobrevivência das populações ribeirinhas. No período de Baixa Vazão, a expedição de Canoa de Tolda constatou que neste período onde a Chesf regulou a vazão para 1.100 m3s abaixo das Barragens de Sobradinho e Xingó provocou um colapso hídrico irreparável. “A vazão é incompatível com qualquer sustentabilidade presente e futura demonstra o descaso do poder público, cujo único interesse é o de geração de energia e não de cuidado com o Rio e seu povo”. Afirmou Carlos Eduardo, membro da Sociedade Canoa de Tolda.

Os maiores prejuízos estão na falta do pescado, muitos peixes vem desaparecendo e a língua salina aumentando na região da Foz. Isso significa que o mar está avançando significativamente. A formação de barrancas de áreas, ilhas, o assoreamento e a queda das barrancas, demonstram que o rio vem se arrastando numa formação completamente errônea. A partir das falas populares um documento está sendo construído sobre os impactos da baixa vazão e os interesses por trás da regulação das barragens. O documento será utilizado como instrumento de discussão junto ao Comitê de Bacia e a Sociedade.

Relatório denunciará a ONU, impactos da transposição em áreas indígenas.
O projeto da transposição do rio São Francisco foi eleito pela APOINME como caso emblemático a ser analisado no informe paralelo que organizações indígenas estão elaborando para a OIT sobre a aplicabilidade da Convenção 169 no Brasil, por traduzir um determinado modelo de intervenção política desenvolvimentista que afronta diretamente os direitos territoriais e modos de viver de vários povos indígenas da Bacia do São Francisco.
A Articulação Popular do Baixo São Francisco juntamente com a ATR, o NECTAS e APOINME preparou plano de atuação no levantamento de dados para construção Cartográfica e relatorial de denuncia a ONU sobre os impactos das obras da transposição. Os territórios mais afetados foram priorizados para o trabalho, Povos: Truká/PE, Tumbalalá/BA, Tuxá/BA, Xukuru Kariri de Gloria/BA, Pipipã e Kabiwá/PE, Anacé/CE, Xocó/SE e Kariri-Xocó/AL.

Debate sobre Energia Nuclear na UNEB
No dia 17 de julho por ocasião do lançamento do Pólo Central de Pesquisa Agro ambiental e do Museu a Céu aberto do complexo arqueológico de Malhada Grande em Paulo Afonso, a UNEB sob a direção do Professor Juracy Marques promoveu um importante debate sobre Energia Nuclear. O propósito foi o de ampliar as discussões preventivas sobre as possíveis instalações de bases nucleares na Bacia do São Francisco. O deputado Edson Duarte/PV foi relator sobre Segurança Nuclear da Câmara Federal, Alzení Tomáz da Articulação Popular do São Francisco e o Professor Francisco de Assis do Departamento de Meio Ambiente, discutiram sobre o assunto. Um grupo anti-energia nuclear na região foi instituído pelo o NECTAS e Articulação do São Francisco para aprofundar a discussão.

Edumangue
Realizou-se nos dias 21 a 26 de junho de 2008 em Penedo o Encontro Regional de Educação em Áreas de Manguezais. O Encontro debateu sobre a Revitalização do Rio São Francisco, através de oficinas, palestra e mesas redondas os debates apontaram preocupações sobre a transposição do rio, o avanço da carcinicultura, criação de ostras, criação de tilapia e a introdução de espécies exóticas na bacia causando impactos violentos em áreas de manguezais. Os pescadores artesanais denunciaram o descaso do poder público à situação de degradação dos mangues e lagoas marginais em Sergipe e Alagoas e cobraram responsabilidade das autoridades na preservação dos ecossistemas manguezais.

Privatização das Águas Públicas
A Bahia Pesca realizou plenária nesta ultima sexta-feira (25) para tratar da cessão do uso de águas públicas para fins de criação de tilapia no São Francisco, a planária foi preparatória a I Conferencia Estadual. Contudo, a linha discutida é a do interesse de manter controle nos procedimentos de cessão e licenciamento para fins de piscicultura. Nenhuma discussão foi evidenciada quanto aos problemas para a pesca artesanal.

Um Manifesto dos Pescadores da Bahia denuncia que a cessão de uso das águas públicas nada mais é que a sua privatização das águas. O manifesto diz: “Hoje, estamos vivendo um dos momentos mais desafiadores da história dos pescadores do Brasil. Como se não bastasse o grande prejuízo que os ricos trouxeram para nossa pescaria com suas indústrias, barragens, fazendas de camarão, agrotóxicos... Agora, eles querem nos prejudicar muito mais: seus planos são PRIVATIZAR O MAR E OS RIOS! Querem implantar grandes fazendas de criação de peixe e cercar os lugares onde pescamos”.

Debate sobre Transposição em Paulo Afonso
No dia 24 de julho o professor João Suassuna realizou palestra com estudantes da UNEB sobre Transposição: Solução ou Problema. O debate fez parte da programação do evento dos estudantes do curso de engenharia de pesca da UNEB. O professor Suassuna, apresentou argumentos contra a obra e apontou elementos técnicos da falta de necessidade do projeto para as regiões do semi-árido.

Mutirão na Região de Caraíbas
Um mutirão realizado pelo MPA - Moviemento dos Pequenos Agricultores de Alagoas, visitou comunidades do Município de Caraíbas sobre impactos na região da extração de minérios efetivada pela Vale Verde, que desenvolve trabalho sem licença ambiental e sem nenhuma preocupação com os prejuízos causados as populações locais. O diagnóstico do mutirão será apresentado posteriormente.

Caso Resina
A Comunidade de Resina na Foz do São Francisco, município de Brejo Grande – SE vem sendo ameaçadas pelos fazendeiros da região e a empresa NORCON que pretende construir um risort na área da comunidade. Os fazendeiros estão intensificando as cercas, acurralando as famílias e pressionando aos poucos para que o povo se retire do lugar. “A estratégia dela é que agente se desgoste a saia de nosso lugar pra ir pra umas casas que eles estão dizendo que tão fazendo pra nós, mas, já dissemos pra eles que nós num vamos sair daqui, que aqui é nosso de direito”. Disse a pescadora Aparecida.

A Resina é uma Comunidade Tradicional de Pescadores Artesanais que sempre viveram historicamente neste lugar, viviam da agricultura e da pesca. Uma ação de denuncia foi encaminhada solicitando a regularização das terras públicas e o reconhecimento das mesmas para a comunidade tradicional. Contudo, a morosidade do poder público, INCRA e GRPU, além, da conivência do Governo do Estado, com a NORCON, Prefeitura local e fazendeiro da região vem emperrando o processo.

Audiência do Comitê de Bacia em Brejo Grande
Neste dia 30 de julho o Comitê de Bacia, realizou audiência pública sobre a intenção do governo de Sergipe de construir uma ponte que liga Brejo Grande a Piaçabuçu na chamada linha verde. A audiência teceu argumentos críticos a cerca dos prejuízos no biótico da foz caso a ponte seja realizada. O bispo da Diocese de Penedo e representantes das organizações populares além das comunidades locais falou da situação atual da região e denunciaram a grilagem de terra para fins turísticos e a situação das comunidades tradicionais pesqueiras que estão ameaçadas de serem expulsas de seu lugar. A exemplo da Comunidade Resina.

Agenda de Agosto:
30/jul - Audiência do Comitê para discutir situação da Foz
31 e 01/08 - Audiência em Aracajú - Discutir no MPF Caso Resina
02 e 03 - Cartografia Social de Tumbalalá e Truká - Preparação do Relatório de Denuncia a ONU
05 a 08 - Encontro do Conselho - Discutir a Bacia SF
09 e 10 - Cartografia Social de Pipipã e Kambiwá - Preparação do Relatório de Denuncia a ONU
11a 15 - Mutirão em Pão de Açúcar - Dicussão sobre Barragem de Trairas
15 e 16 - Cartografia Social do Povo Anacé - CE - Preparação do Relatório de Denuncia a ONU
22 a 24 - Encontro dos Educomunicadores Penedo - Formação e Estudo da Cartilha
23 e 24 - Cartografia Social dos Xukuru Kariri e Tuxá - Preparação do Relatório de Denuncia a ONU
28 - Camara Consultiva do Baixo (COMITÊ) - Discutir barragem de Trairas
30 e 31 - Cartografia Social Kariri Xocó e Xocó -Preparação do Relatório de Denuncia a ONU

Contatos:
Alzení Tomáz – CPP NE/Articulação Popular do Baixo São Francisco
Telefax: 75. 3281 0848/ 75. 9136 1022
alzeni_tomaz@yahoo.com.br
baixosaofrancisco@gmail.com
Blog do Baixo SF: http://baixosaofrancisco.blogspot.com/






PESCADORES E PESCADORAS DA BAHIA!


Hoje, estamos vivendo um dos momentos mais desafiadores da história dos pescadores do Brasil. Como se não bastasse o grande prejuízo que os ricos trouxeram para nossa pescaria com suas indústrias, barragens, fazendas de camarão, agrotóxicos... Agora, eles querem nos prejudicar muito mais: seus planos são PRIVATIZAR O MAR E OS RIOS! Querem implantar grandes fazendas de criação de peixe e cercar os lugares onde pescamos.

Com o projeto bijupirá os ricos desejam copiar o projeto salmão que trouxe grande prejuízo para as comunidades pesqueiras do Chile. Lá, os ricos ficaram ainda mais ricos e as comunidades pesqueiras estão impedidas de pescar.

Fato tão grave assim na história do Brasil, apenas pode ser comparado com a lei de terras em 1850. Ela determinou que o acesso às terras só por meio da compra. Como os Índios, Negros e Pobres não podiam comprar, as terras ficaram concentradas na mão de poucos. Nós sofremos as conseqüências desta lei até hoje. Esta situação gerou muita violência no campo e conflitos sociais como bem conhecemos.

Hoje, estão inventando uma lei chamada de cessão das águas públicas. Eles não querem ver que as águas públicas já estão cedidas para os pescadores e pescadoras desde o tempo de nossos ancestrais. A ganância dos ricos é tão grande que estão de olho no MAR e nos RIOS. Nós não somos bobos. Conhecemos seus planos... Enganar... Exportar... Acumular riquezas... Colocar cercas no MAR e nos RIOS... São esses os seus planos!

Está em nossas mãos a resistência! Vamos fortalecer nossas comunidades e nossa organização! Alguns vão se vender... Alguns serão enganados e ficarão do lado dos ricos... Mas vamos pra rua e gritar bem alto e com certeza Vamos vencer esta luta!


MINISTÉRIO: SIM!

PRIVATIZAÇÃO DO MAR E DOS RIOS: NÃO!


terça-feira, julho 29, 2008

segunda-feira, julho 07, 2008

Começou o tempo de luta, Kalankó em Retomada

Ontem, reportei-me ao pé da serra do vale da divisa entre Pernambuco e Alagoas, quase pertinho do Rio Moxotó, é lá que o Povo da Etnia Kalankó vive a centenas de anos, eles haviam me comunicado na ultima sexta-feira (13/06) que estariam em retomada e queria a nossa presença. Com uma gripe muito forte, terminei não indo no dia combinado e, somente ontem aproveitando da presença de Clarice (jornalista da Articulação do São Francisco), decidimos de ir até lá, fazer uma nota, divulgar.

Ao chegar à retomada alguns barracos, um típico acampamento de sem terra, ou melhor, acampamento de índio sem terra. Na entrada uma faixa de apoio dos Povos do Sertão de Alagoas. Algumas pessoas descasulavam algodão, antiga atividade agrícola que praticam na região. Outros descansavam nos barracos. Encontrei o Zezinho, Cacique dos Koiwpanká que se encontrava lá desde o começo apoiando a iniciativa. Logo pediu ao Paulo cacique dos Kalankó, que me apresentasse ao lajeiro de água, tratava-se de um caldeirão de água na pedra feito por seus antepassados. Em meio à caatinga, pés de xique-xique e mandacaru, catingueira e facheiro ornamentavam o lugar. Uma energia diferente... Senti o cheiro do praiá. Eis que estávamos num lugar sagrado.

Entrada da Retomada Kalankó


Por que vocês vieram fazer a retomada aqui Paulo? Perguntei meio que com a resposta na ponta da língua. Respondeu-me: “porque é aqui o lugar dos nossos antepassados, dos primeiros que aqui chegaram”. Pedi-lhe que me desenhasse o território no papel. Em rabiscos foi indicando os lugares e as coisas que ali existem.

“Nós aqui vivemos sem terra, só tem o chão pra fazer a casa, muitos trabalham pra os posseiros em dias de serviço. Somos espalhados nessa região, mas, tem cinco aldeias que forma o Povo: Aldeia do Lajeiro, Aldeia Januária, Aldeia Gregório, Aldeia Gangorra e Aldeia Batatal” os maiores donos de terra aqui é Luiz Carlos que tem o domínio da terra da Gangorra e Zé Francisco que tem o domínio da Serra dos Campos. Aqui onde a gente tá, quem tem o domínio é Augusto, antigo posseiro. Nós somos índios sem terra. Acontece que aqui em baixo na Gangorra os sem terra vieram e acamparam. Daí a agente foi conversar com as lideranças que ali era terra de índio, eles disseram que não saiam e que a gente tinha que se junta a eles como sem terra. Nós dissemos que temos os nossos custumes e a gente ia fazer retomada como índio sem terra e não como sem terra. Eles não entenderam, mas, a poucas semanas o posseiro da Gangorra tocou fogo nos barracos deles. Nosso povo ficou com medo, mas, decidiram que mesmo assim, a gente tinha que fazer a retomada. Depois de muitas reuniões, comissão vai, comissão vem, decidimos que mesmo sem estrutura nós vinha. E viemo”.

Cacique Paulo Kalankó

Oriundos do Povo Pankararu, migrou, fugidos da perseguição um pouco antes de 1840. hoje são 5 aldeias com 75 famílias e cerca de 338 índios. Em tempos difíceis e de desolação, “chegaram três famílias aqui neste chão. Mas, a fome era grande, eles comiam os calangos dos lajeiros, aqueles répteis dos lajeiros. Daí o povo começaram a chamá-los de calancó. Em noites de ritual, os encantados nos iluminaram, - é aqui que se encontra o Povo Kalamkó!” disse o Pajé Antonio Francisco de 53 anos. O povo comemora no dia 25 de julho aniversário de auto-identificação. “Antes a gente não podia dizer que era índio. Sempre que nosso povo chegou aqui, praticava os rituais, mas, até das crianças, eles tinham medo e fazia em segredo. Esse povo era povo caçador, mas, depois que as caça ia se acabando, foram viver de alguma roça. Mas, nunca perdemos nosso ritual. A gente nunca mostrava o ritual da cura, pra não vazar. Minha mãe de criação morreu com 94 anos e contava pra nós dos rituais”. Disse.

Mapa desenhado por Paulo Kalankó

“Aqui teve 4 caciques. Os três primeiros não foram de muito agrado do povo, porque não ajudava muito, aí o povo se juntou e escolheu Paulo que é o 4º. Cacique, as famílias desses outros, umas 12 não gostaram muito, ficaram insatisfeitos. Mas, foi preciso. Eu sempre fui o Pajé aqui nesses 10 anos. Pelejei pra não ser, fiz de tudo pra escolherem outro, mas, os caminhos apontaram e eu não pude fugir da responsabilidade. Aqui tem 10 anos porque foi aí que agente começou a assumir nossa condição de índio”.

Percebi que já tinha passado a hora de almoço e a conversa seguia com seu Antonio o Pajé. Paulo gritou, mãe bota um feijão com piaba pra esse povo. Estávamos eu, Clarice, Celina, ex-presidenta do STR de Água Branca que a muito tempo ajudou no reconhecimento deles e a sua irmã Elizangêla, estudante de agronomia na Venezuela, ambas de família de caboclos, cujo troco se estruturava em famílias com espiritualidade tradicional, mas, não assumidos. Sua mãe falava com os encantados e sofreu terrivelmente de doenças que a medicina não podia explicar. Morreu sedo e somente depois, os filhos passam a reconhecer que seu sofrimento tinha que ter sido trabalhado. Alguns filhos têm o dom, mas, ainda tem medo de assumir.

Pois bem, voltando aos Kalankó, parece esquisito imaginar que numa época dessa a fome ainda é espectral. Ficamos por ali, nas conversas com um e com outra, terminamos por não comer, pois a única panela de comida quase não tinha nada para o que ainda faltava se alimentar. Enrolamos ali nossas próprias tripas e decidimos por comer na cidade quando chegarmos. Simples, pois, estávamos tão acostumadas a passar um dia de fome por causa da dinâmica do trabalho.


Toré das Crianças Kalankó


Ficamos ali, o Pajé cantou umas cantigas de toré e as crianças satisfeitas dançavam pra gente ver. Terminado o rito. Anunciamos a nossa ida. Fal, vice prefeita de água branca que já estava lá apoiando a três dias decidiu de nos acompanhar, a Irmã Alda do CIMI, continuou lá ficaria até o próximo sábado (21/06). Ao viajar decidimos passar na casa de uma rezadeira, uma senhora de 72 anos, Clarice queria que ela a rezasse. Mas, ao chegar lá, ela falou que não estava em condições já tinha rezado muito num povo que tinha chegado por lá nesta manhã. Clarice deixou seu nome pra ela rezar, pois não dava mais pra retornar. Continuando nosso retorno à Água Branca, ao avistar de longe a retomada do Povo, vimos que escolheram um lugar estratégico, ainda estávamos no terreiro da rezadeira. No alto os barracos de lona, estavam no pé de um Serrote. Uma vista que impressionou. Seguimos o caminho e ao passar no Riacho da Gangorra, riacho que se encontra com o Riachão e deságua no Rio Moxotó do lado de Pernambuco, senti o cheiro forte do Campió. Até imaginei que alguém fumava o cachimbo no carro, ainda olhei pra trás, mas, nada. Uma forte tontura me consumiu, escutávamos na conversa no carro as historias da família de Celina, sobre o dom de sua mãe. Algo estranho no organismo, senti forte enjôo. Mas, me contive em não comentar. A estrada estava ruim e continue a dirigir o veículo. Imaginei que poderia ter sido a falta de alimento, não comentei nada, chegando à cidade iríamos comer e tudo ficaria bem.

Paramos num restaurante e pedimos um peixe pra comer. A comida chegou depois de algum tempo, ainda me consumia aquela dor de cabeça. Na mesa, Fal conversava conosco sobre o Povo. Nesses três dias, ela relatou que o povo sabe conviver com a fome. “Farofa de café é o alimento da manhã, feijão e farinha é comida do cotidiano, hoje tinha umas piabas, mas, isso não é comum. As crianças vão pra escola com fome, quando tem merenda é a refeição do dia”. Disse.

Tanque de Pedra Natural no território tradicional

Parece característica histórica, que merece estudo. Na década de 90, o STR através de Celina esteve em reuniões naquele lugar. “O povo se esquivava de falar, era muita miséria. A fome era visível, comer uma vez por dia era comum”. Relata Celina. Depois foi que o CIMI veio acompanhar e daí as coisas foram melhorando, até a limpeza melhorou, algumas casas já são de alvenaria, já tem posto médico e a FUNAI já reconhece.

Essa noite percebi que a comida não me fez bem, ainda zonza, algo estranho se move em traços de lembranças esquisitas, sonhei esta noite com o povo no vale, gemendo de fome. Minhas visões me deportaram para além da minha linhagem de antepassados, vi pessoas que nunca tinha ficado na memória. Aparece-me em sonho os caminhos de lá. “seu lugar é lá, vá e leve comida”. Acordei pela madrugada, um incomodo só. O cheiro dos praiá me consumindo. Devo retornar neste São João.

Segundo Paulo, o objetivo é manter a organização na retomada pra não terem que voltar atrás. “Aqui é lugar de nossos antepassados. Já documentamos pra FUNAI, pra FUNASA e o Ministério Público pra tomar as providencias. Falamos com o Ministério Público pra olhar pela nossa segurança, não teve ameaça, mas, muitas conversas. E temos que nos prevenir, depois do que fizeram com os sem terra, agente tem que se prevenir. Queremos deles a formação do GT pra fazer nossa demarcação”.

Para o Pajé Antonio Preto, o território chega a cerca de 4 mil hectares e o povo só tem o chão da casa pra morar, não tem terra, pois está sob domínio de grandes posseiros. A primeira fase do Relatório Antropológico já foi feito, mas, não concluído. É tempo de luta, o Kalankó antes recuperando sua condição étnica, hoje se encontra em Retomada para garantir a demarcação de seu território tradicional.

Oriundos do aldeamento do Brejo dos Padres/PE, no século XIX vieram da etnia Pankararu, PAnkarú, Giratacó, Cacalankó Umão Canabrava Tatuxi de Fulo (Arruti, 1999) os Kalankó optaram pelo termo etnônimo que lembram os antigos Cacalancó, mas tinha haver como Antonio Preto fala, “o calango em tempo ruim, até sustenta a gente, a gente demo o nome de Kalankó, por mode de calango”.

Em 1998 aparece afirmando a identidade étnica, onde cinco pontas de rama de um único “tronco velho”, migraram para o Alto Sertão Alagoano do São Francisco: Kalankó, Karuazu, Koiupanká, Katokim e Geripankó. “O caboclo ta no mato ta apanhando murici. Ele vem pra ajudar o povo de ouricuri”. Além do Toré, o povo pratica os Serviços de Chão e as linhas do Praiá.

quinta-feira, junho 19, 2008

Jornada Nacional de Luta mobilizou milhares de trabalhadoras/es do Campo e da Cidade em todo país

A Jornada Nacional de Luta dos/as Trabalhadores/as do Campo e da Cidade, realizada na semana de 10 a 13 de maio de 2008, é uma continuidade da luta da Via Campesina, que neste processo se soma a movimentos sociais e organizações urbanas.
Nessa Jornada, construída a partir da negação ao atual modelo político, econômico, social e cultural vigente, onde a vida se constitui em apenas mais uma fonte de lucro, diversas atividades foram desenvolvidas sob os pilares da construção de uma sociedade mais justa, solidária e igualitária, com soberania dos povos e equidade nas relações de gênero.

A Via Campesina e trabalhadores urbanos da Assembléia Popular realizaram protestos para denunciar os problemas causados pela atuação das grandes empresas no país, especialmente as estrangeiras, que são beneficiadas pelo modelo do agronegócio e pela política econômica neoliberal.

O modelo econômico baseado no capital financeiro e no oligopólio de empresas transnacionais, principalmente do setor do agronegócio e da energia, sacrifica a renda da população com o aumento do preço dos alimentos e da conta de luz. Para isso, se apropria da terra, das águas, dos minerais e da biodiversidade, privatizando o que é de todos. Aumenta a exploração dos trabalhadores, precariza e retira os direitos trabalhistas, aumenta o desemprego, a pobreza e a violência.

Dessa forma, promove a concentração da riqueza nas mãos dos mais ricos, especialmente dos banqueiros e das transnacionais, enquanto aumenta a desigualdade e a pobreza da população. Combater essa lógica opressora e destrutiva é necessário e urgente.

Por isso, nessa Jornada, a Via Campesina e os Movimentos Urbanos denunciam os interesses das empresas transnacionais em aliança com os latifundiários; o monocultivo em grandes extensões de terras, que destroem a biodiversidade, produzem poluição ambiental, geram desemprego e promovem a desagregação social das comunidades camponesas, indígenas e quilombolas; a produção de etanol para exportação, promovendo a ampliação do plantio do monocultivo da cana-de-açúcar; o uso das sementes transgênicas, que destroem a biodiversidade e eliminam as nossas sementes nativas; o desmatamento dos nossos biomas, de modo especial da floresta amazônica e do cerrado, e a destruição dos babaçuais, através da expansão da pecuária, soja, eucalipto e cana, juntamente como a exportação de madeiras e minérios.

A partir desta compreensão, mulheres, homens e crianças foram às ruas para denunciar, mas também dizer que querem e propõe um outro modelo de desenvolvimento para o povo, com um projeto de agricultura camponesa baseada na produção de alimentos saudáveis e na soberania popular.

Abaixo, descrevemos as atividades que aconteceram nos estados do Brasil durante esta semana de luta do povo brasileiro. Em alguns deles, com forte repressão policial. Como exemplo, o estado do Rio Grande do Sul e de São Paulo.

Produzir alimentos saudáveis, cuidar da vida e da natureza!
Rio Grande do SulForam realizadas atividades em diversos locais. Em Vacaria, Lagoa Vermelha, Passo Fundo, Aratiba, Porto Alegre, Rosário do Sul, Erval do Sul, Piratini e Santa Cruz. Duas destas atividades foram fortemente reprimidas pela Brigada Militar.
.................................................................................................. Leia mais
CearáOs trabalhadores protestam contra a alta dos preços dos alimentos, transposição do Rio São Francisco e instalação de uma refinaria da Petrobrás, que será construída em cima da bacia hidrográfica e o consumo de água será equivalente a uma cidade de 30 mil habitantes.
.................................................................................................. Leia mais
Minas GeraisAs atividades denunciaram os crimes ambientais e sociais que as empresas mineradoras vêm trazendo ao estado, dentre elas principalmente a Companhia Vale. .
.................................................................................................. Leia mais
ParanáOs/as trabalhadores/as rurais cobram do governo federal a reestatização da empresa Ultrafértil/Fosfértil, privatizada há 15 anos, a quebra do controle das transnacionais sobre os alimentos e fertilizantes e uma política eficaz de financiamentos para os camponeses e a agricultura familiar................................................................................................... Leia mais
GoiásAgricultores/as da Via Campesina, trabalhadores/as de bairros organizados em sindicatos e na Assembléia Popular fizeram protestos em três pontos no estado................................................................................................... Leia mais
PernambucoCerca de 200 trabalhadores/as rurais da Via Campesina ocuparam a Estação Experimental de Cana-de-Açúcar (EECAC), no município de Carpina, Zona da Mata Norte de Pernambuco, em protesto contra o avanço da monocultura de cana-de-açúcar na região, que contribui para a elevação da crise dos alimentos no país. Durante a ocupação, os agricultores destruíram mudas de variedades de cana, inclusive espécies transgênicas, e cortaram cerca de dois dos 100 hectares de cana-de-açúcar plantadas na Estação................................................................................................... Leia mais
BrasíliaUma comissão de representantes dos movimentos da Via Campesina participou de reunião com o chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República, Gilberto Carvalho. A Via Campesina apresentou o documento "Programas Estruturantes de Curto Prazo", com propostas para a agricultura brasileira superar a crise do preço dos alimentos................................................................................................... Leia mais
Rio de JaneiroCerca de 500 trabalhadores/as rurais da Via Campesina e de diversas organizações populares da Assembléia Popular realizaram um ato na frente da sede nacional da Vale, no centro do Rio de Janeiro, para denunciar os impactos sociais negativos causados pela atuação da mineradora nos estados de Minas Gerais, Pará, Maranhão e Rio de Janeiro.
RondôniaA mobilização visou denunciar o desmatamento da Amazônia, a ocupação ilegal de enormes extensões de terra para plantação de soja e protesta contra a construção das usinas do Complexo Madeira. Em Ouro Preto, 200 pessoas fizeram uma mobilização por redução no preço da energia................................................................................................... Leia mais
TocantisAlém de denunciar o corte ilegal da floresta amazônica e do cerrado para grandes extensões de lavoura, os/as manifestantes reivindicaram o cumprimento dos acordos feitos entre eles/as e a empresa Vale, construtora de uma ferrovia na região................................................................................................... Leia mais
Espírito SantoA mobilização aconteceu no município de Montanha, onde será instalada uma nova usina, pertencente à empresa estrangeira Infinity Bio-Energy, companhia criada em 2006 e sediada na Ilha das Bermudas, e que já comprou todas as usinas de cana do norte do ES................................................................................................... Leia mais
São PauloTrabalhadores/as da Via Campesina ocuparam uma fazenda no município de Mirante do Paranapanema, da Organização Odebrecht, que está construindo a usina Conquista do Pontal para a produção de etanol. Também, na cidade de São Paulo, cerca de 600 trabalhadores/as rurais da Via Campesina e integrantes da Assembléia Popular ocuparam prédio da Votorantim e CPFL para denunciar os impactos ambientais da construção da barragem de Tijuco Alto, no Rio Ribeira de Iguape, que corta os estados de São Paulo e Paraná. O protesto também denuncia os altos preços da energia elétrica................................................................................................... Leia mais
ParaíbaMais de 200 trabalhadores/as rurais da Via Campesina ocuparam o latifúndio Nossa Senhora de Lourdes, localizado a 5 km da cidade de Mari, que possui 1.100 hectares com a monocultura da cana. A propriedade de Carlos Ribeiro Coutinho foi arrendada para a Usina Jacungu................................................................................................... Leia mais
BahiaOs trabalhadores e trabalhadoras denunciam que os grandes projetos de irrigação beneficiam apenas os latifundiários do agronegócio, especialmente o projeto de transposição do Rio São Francisco, o Pontal Sul, em Petrolina, e o Projeto Salitre, na cidade vizinha de Juazeiro, na Bahia................................................................................................... Leia mais
AlagoasOs manifestantes protestaram contra a transposição do Rio São Francisco, construção das novas barragens e a baixa vazão do rio, que causa fortes impactos na Foz do Rio São Francisco. Também denunciaram que a transposição e as novas barragens beneficiam apenas os latifundiários do agronegócio................................................................................................... Leia mais
Santa CatarinaForam realizadas mobilizações em duas regiões do Estado. Cerca de 700 trabalhadores estiveram em frente à Klabin, empresa de papel e celulose, que detém 160 mil hectares de pinho e eucalipto no estado. Além disso, os/as manifestantes distribuíram 500 mudas de árvores nativas e 15 toneladas em cestas de alimentos para a população da cidade de Otacílio Costa. No município de Maravilha, 1.200 trabalhadores/as fizeram protestos contra a Aurora, que representa o modelo de produção do agronegócio................................................................................................... Leia mais
Mato GrossoOs/as agricultores/as fizeram debates com a população local, em escolas e nas rádios locais, denunciando os graves problemas sociais e ambientais que o Grupo Camargo Corrêa causa na região. O grupo, que detém 52% das terras da região, é responsável pela obras do Complexo Rio Madeira................................................................................................... Leia mais

segunda-feira, junho 16, 2008

OCUPAÇÃO NA HIDRELÉTRICA DE XINGÓ


Via Campesina e Articulação Popular do Baixo São Francisco dia 10 de junho de 2008

quarta-feira, junho 11, 2008

Trabalhadores ocupam duas hidrelétricas por mais de sete horas


Nas regiões do Submédio e Baixo São Francisco duas hidrelétricas, Sobradinho (BA) e Xingó (AL e SE) são ocupadas durante mais de sete horas, por centenas de trabalhadores ligados a organizações e movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais. As ações de hoje (10) fazem parte da jornada de luta da Via Campesina contra o modelo de desenvolvimento do governo federal, baseado em grandes projetos como a transposição de águas do rio São Francisco.

Em Xingó são cerca de 1500 pessoas dos estados de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Bahia. Com o lema "Queremos produzir alimento contra o agronegócio e em defesa da agricultura camponesa". A mobilização teve início por volta das 09h e seguiu durante toda a tarde. Eles chegaram a resistir a ação de um grupamento da Policia Militar de Sergipe, com cerca de 60 homens, permaneceram na Casa de Força da Hidrelétrica e começam a sair, após longo processo de negociação.

O grupo denunciou os prejuízos causados pela obras do projeto de transposição, além da ofensiva do governo federal para construção de novas barragens e a baixa vazão do rio na foz, que tem causado a diminuição de espécies nativas e a crescente miséria.

Em Sobradinho a ação iniciou por volta das 06h com aproximadamente 700 pessoas. Os camponeses não encontraram resistência na entrada e ocuparam área de acesso a sala de controle da Usina. Policiais militares e federais tiveram no local a fim de negociar uma possível retirada dos manifestantes e fontes, não oficiais, ainda afirmaram que um grupamento da infantaria, do batalhão do exército em Petrolina (PE), estaria a caminho da área.

Todavia, a saída do local foi decidida em assembléia geral, por volta das 13h. “Entendemos que cumprimos nosso objetivo de denunciar esses projetos e essa é apenas uma das ações que estão acontecendo em todo o país”, disse Cícero Félix, da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

As duas Usinas foram construídas pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). Sobradinho tem 30 anos e é chamado de “coração artificial do São Francisco”, com um dos maiores lagos artificiais do mundo. É a primeira vez que uma ação do tipo acontece no local. Xingó é mais nova, tem cerca de 12 anos

Nas duas ocupações os manifestantes defendem a convivência com o semi-árido , revitalização do rio – considerando as comunidades que historicamente tem sobrevivido em toda a bacia e as suas necessidades reais, regularização fundiária e a paralisação das grandes obras, como a construção de novas barragens e o projeto de transposição.

Na Bacia do São Francisco as ações são articuladas pelos movimentos que fazem parte da Via Campesina junto com outros movimentos, organizações sociais, povos e comunidades tradicionais que formam a Articulação Popular São Francisco Vivo.

Mais informações:
Sobradinho
Cícero Félix (CPT): (74) 91984001
Jailson Santos Sena: (74)

Xingó
Alzení Tomáz (CPP NE): (75) 9136 1022
José Hélio (MPA NE): (82) 9950 0227
Beto (MST AL): (82) 9999 4846
Luciano (MST AL): (82) 9915 3134

segunda-feira, maio 26, 2008

Conquista do Povo Camponês

RELATORIO DA REUNIÃO NA COMUNIDADE BOM JARDIM POÇO REDONDO

Data: 08/05/2008


Participantes:

  1. Mães e Pais de alunos de 1° a 4° serie

  2. Gilvaneide, Rosalvo, Inês e Izabel – Coordenação Estadual do MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores.

  3. Roberto Araújo – MST

  4. Prefeita Iziane

  5. Secretario de Educação Zé de Lídia


A reunião aconteceu na Escola municipal da Comunidade Bom Jardim, e teve inicio às 3 horas da tarde onde as Mães e Pais colocaram suas reivindicações para Prefeita Iziane. Dois pontos foram destacados: Abertura da Escola e Infra-estrutura da Escola.

Relato das famílias:

  • A escola foi fechada no 2° semestre de 2007, alegou-se na época que a infra-estrutura do Colégio Dom Jose Brandão de Castro tinha melhor estrutura, para onde as crianças foram deslocadas;

  • Algumas Mães e Pais ainda tentaram se organizar para reabrir a escola, porém não tiveram apoio de todos;

  • A coordenadora do Grupo de Base do MPA do Bom Jardim (Baixinha) convidou a Direção do Movimento para uma reunião com as famílias que aconteceu no mês de setembro 2007;

  • Que no Bom Jardim tem 23 estudantes de 1° a 4° serie.

Relatos desta reunião:

- algumas Mães não queria lutar pela reabertura da Escola, compreendia que para as crianças seria melhor estudar no Colégio Agrícola, pois tinha merenda (iogurte).

- algumas Mães e Pais disseram que as condições do transporte escolar eram péssimas e temia pela segurança dos filhos e filhas.

- tirou-se duas pessoas da comunidade para conversar com a secretaria de educação e a prefeita, que não avançou.

- também existia a problemática das crianças menores de 5 anos que ficaram sem poder ir pra escola.

Nestas reuniões com o MPA sempre foi colocado à necessidade da reabertura da escola, pois esta é um patrimônio da comunidade, onde se realiza: festas, missas, encontros, reuniões e principalmente pelo fato de que o Estatuto da Criança e do Adolescente e as Leis de Diretrizes Básicas garantem educar crianças menores de 16 anos no seio de sua família. E para que estas Leis fossem garantidas somente com Organização e União da Comunidade.

  • Uma segunda reunião aconteceu no mês de abril, com a presença de Rosalvo Coordenador Estadual do MPA em Poço Redondo, onde se encaminhou:

  • - reunião com a prefeita Iziane;

Na reunião com a prefeita Iziane discutiu-se e encaminharam-se as seguintes questões que foi assumido pela prefeita Iziane:

  1. Abertura da escola no mês de Maio, proposta de até o dia 15/05;

  2. Solicitação de:

- 15 cadeiras

- 1 bebedor

- 1 fogão

- panelas, pratos, copos, colheres.

- 1 tampa pra caixa d’água ou uma caixa nova

- uma sala de pré-escolar, (Roberto Araújo, candidato a prefeito de Poço Redondo prometeu e garantiu as famílias, caso eleito abrirá o pré-escolar na comunidade)

- que a professora não fosse Leleda, mas outro Profissional;

- que caso a professora Leleda (que tem a portaria do município) não aceitasse voltar pra o Bom Jardim, outra pessoa fosse deslocada pra essa comunidade. Detalhe: Existe um problema entre a Prof. Leleda e alguns Pais e Mães.

- o MPA vai acompanhar o processo de reabertura da escola, que seja sem conflito e transtornos pra ambas as partes (Estudantes, Mães e Pais e Professores).

  • Representantes da Comunidade para acompanhar os encaminhamentos tirados e negociar com o poder publico municipal:

- Maria José (Baixinha)

- Maria Aparecida

- Adriano

- Aparecida

- Gilvaneide e Izabel - MPA

É importante afirmar, a Luta pela Reabertura da Escola é da Comunidade de Bom Jardim, fatores políticos partidários não influenciaram e nem influência na decisão e vontade do povo da comunidade. Esta é uma luta pela Educação Camponesa, que se respeite à cultura e a realidade do povo. A educação de cima para baixo não nos serve, queremos ser parte, e parte ativa nas tomadas de decisões, construir junto, queremos ser protagonistas de nossa própria historia.

EDUCAÇÃO CAMPONESA É CAMPONÊS EDUCANDO CAMPONÊS

domingo, maio 04, 2008

O que é um resort e o que trás de bom para o povo de Brejo Grande?

Entenda, pra não se deixar enganar!!

O que é um Resort ou hotel de lazer? é um lugar de luxo usado para relaxamento ou recreação, situado fora do centro urbano com áreas edificadas, voltados especialmente para atividades de lazer e entretenimento do hospede.
Para quem serve um resort? Somente aos ricos que podem pagar diarias caras que chegam até mil reais por dia para passar feriados ou férias. Geralmente, um resort é uma grande seleção com diversas atividades, como bebida, comida, alojamento, esportes, entretenimento e compras.

A quem beneficia? Somente os donos do hotel lucram com o empreendimento. A construtora NORCON (obra normalmente financiada com dinheiro público), deseja possuir todas essas terras de beira rio perto da Foz do Rio São Francisco para lucrar muito dinheiro. Para isso, eles querem retirar as comunidades deste local, pois os resorts precisam fazer a “limpeza visual” no caminho de acesso dos hospedes de luxo. Eles tiram não somente os pobres de suas casas, mas, o que eles consideram feio. Daí comunidades como Resina, Saramém e Brejao dos Negros são ameaçados de serem retirados deste local.

Como ficam os pobres? Os pobres ficam fora de seus território tradicional. Pois o resort não traz emprego para o povo do local, pois eles usam somente a mão de obra altamente especializada em hotelaria, não se enganem, pois, não serão estes pobre que terão esse emprego, inclusive proibidos de venderem artesanatos diretamente aos hóspedes ou mesmo comidas. O meio ambiente também sofre, com a destruição do ecossistema Manguezal, destruição das lagoas, caranguejos, siris, peixes e pássaros. Os impactos causados ao meio ambiente, como poluição, extração inadequada de areia são alguns dos problemas causados por estes empreendimentos.

Acontece que para construir o resort é necessário licença do IBAMA para atestar a viabilidade ambiental do empreendimento. Precisa que o INCRA resolva o problema das terras das populações tradicionais que aqui exista. Que tem que haver preocupação com a participação efetiva das comunidades atingida opinando sobre esse assunto. Acontece que a NORCON aliados aos latifundiários que se apropriaram dessas terras, aos políticos desta região em busca de enriquecimento, não estão respeitando o direito dessas comunidades tradicionais que dependem do rio, do mar e do mangue para viver.

A terra é do povo de Resina, a terra é do Povo do Saramém, a terra é do Povo pobre Quilombola do Brejão dos Negros, a Terra é do povo de Carapitanga e de todas as comunidades que aqui existe. A terra não é de ninguém, a Terra é de Deus, a Terra é dos Pobres. A Terra é das Populações tradicionais que sempre viveram aqui desde mesmo antes e depois da colonização: são os pescadores e pescadoras artesanais, os descendentes dos negros africanos – o Povo Quilombola. Essas comunidades tradicionais são os herdeiros, deixado por seus antepassados e não podem abrir mão deste direito.

Essas terras têm que ser transformadas não em resort para os ricos se beneficiarem. Tem que ser transformadas em Reservas Agroextrativistas - RESEXs e feita a regularização das terras públicas destinadas às populações tradicionais que aqui existem. Onde o Povo viva e cuide da Natureza, sem cercas e sem medo.

São Francisco Vivo: Terra, Água, Rio e Povo!!
Articulação Popular em defesa do Rio São Francisco

1º de Maio, caminhada silenciosa marca protesto na Foz

Trovão e Silêncio, marca caminhada de comunidades tradicionais no Município de Brejo Grande
O 1º de Maio, dia do Trabalhador na Foz do São Francisco, Município de Brejo Grande-SE, reuniu cerca de 200 trabalhadores, acampados, quilombolas e pescadores artesanais que vivem as margens do Rio São Francisco em terras que são públicas. As comunidades reuniram-se neste dia numa caminhada que percorreu as principais ruas da cidade de Brejo Grande.


O silencio marcou o trecho. As pessoas perceberam que não tinha um carro de som, que não tinha alardes. As pessoas caminhavam de cabeça erguida num silencio inquieto, ensurdecedor, confrontando-se com o interlocutor imaginário e lutando com sua própria indignação. Era como um murmúrio de uma brisa suave, que soava com pés firmes na paisagem de miséria e desalento que as ruas periféricas de Brejo Grande apresentam: insalubridade e miséria.

Concentrados na praça principal da cidade, como um trovão, as vozes antes silenciosas, ecoavam, desmascarando o medo que o povo desta região é submetido. Ameaçados de serem expulsos de seus territórios tradicionais, comunidade como a Resina e Saramém, povos herdeiros desse território, agora são ameaçados de perderem seu território para dar lugar à empresa NORCON construtora, que deseja edificar um hotel de luxo nesta região.

Com a conivência do Estado e conluiado com latifundiários da região e políticos, a NORCON não perde tempo e tenta persuadir a população local para se retirarem do local, oferecendo-lhes propina. Uma ação no Ministério Publico Federal e procedimentos no INCRA requer do Estado o direito de propriedade das famílias tradicionais que vivem neste local.

Outras denunciais foram feitas pelos trabalhadores, que trata de agressões as pessoas e o meio ambiente, como: desmatamento do mangue, perseguição contra trabalhadores, improbidade administrativa da prefeitura local, falta de saneamento básico, cercas que impedem a população de circular livremente em seus territórios, ameaças. Essas foram algumas demandas denunciadas no dia do Trabalhador.

terça-feira, abril 29, 2008

Conferência contra a transposição reúne Dom Cappio e povos do São Francisco

Cerca de 300 pessoas participaram da Conferência com Dom Luiz Cappio neste dia 26 de abril em Paulo Afonso-BA com o objetivo de debater sobre os impactos da transposição no Rio São Francisco e as alternativas de convivência com o semi-árido. Na oportunidade, foi lançado o livro do professor Juracy Marques e um vídeo intitulado Frei Luiz: um dom da Natureza. Memórias afetivas do seu jejum em Sobradinho. “Os escritos de Juaracy são marcantes e sensíveis porque ele descreve aqueles momentos vividos em Sobradinho, mas, descreve principalmente os sentimentos de sua alma naquela ocasião”. Disse Dom Luiz. O Bispo realizou um Jejum durante 25 dias na cidade de Sobradinho com o propósito de barrar as obras da transposição.

A Conferência reuniu diversas entidades populares, pastorais, igrejas, movimentos sociais, ongs, estudantes, educadores, universidades e comunidades tradicionais das regiões do Sertão da Bahia, Alagoas e Pernambuco. Um momento importante na plenária foi a fila do povo, onde muitos dos participantes tiveram livre a oportunidade de denunciar os problemas que afetam o São Francisco nesta região de beira rio-caatinga.

As principais dificuldades apresentadas apontaram para um rio condenado. Os participantes denunciaram que o modelo de desenvolvimento implantado vem trazendo impactos que compromete a vida do rio. A exemplo das grandes barragens que até hoje trás conseqüências irreparáveis: a perda dos territórios, perda da identidade, falta de cheias que não permite mais a manutenção da biodiversidade e principalmente a manutenção do pesca artesanal nesta região. A irrigação intensiva degrada o meio ambiente, polui e envenenam as águas e os alimentos. A piscicultura, longe de ser uma alternativa de emprego e renda como é pregada, ela intensiva, vem poluindo as águas, obrigando muitos a perderem as terras de beira rio, além de trazer ameaças contra os pescadores artesanais. A falta de uma reforma agrária efetiva e a falta de demarcação dos territórios indígenas, quilombolas e pesqueiras foram alguns dos problemas mais discutidos pelos participantes.

A questão da transposição levou mais tempo de discussão na conferencia. Dom Luiz, fez um histórico de sua trajetória são franciscana e apresentou as principais razões que o coloca contra o projeto de transposição, o que significa esta obra para o rio e o povo do semi-árido e as conseqüências desta para o rio já em estado de calamidade.

Sua fala apontou para uma obra imposta e militarizada, que envolve falsas promessas de que “vão levar água pra quem tem sede e que trará prosperidade, emprego e renda”. A verdade, disse dom Cappio, “é que a transposição aprofunda a indústria da seca, é uma obra injusta e enganosa. O governo já admite que a transposição tem a finalidade principal de levar água para os grande projetos de irrigação e industria, que produzirão para o agronegócio de exportação. A água não beneficiará quem realmente necessita dela, como as populações difusas – espalhadas nas caatingas, essas nunca sentirão o gosto dessa água. Mas, são as populações que pagaram o preço dessa água que chegará muito cara”. As obras da transposição custarão cerca de 6,6 bilhões de reais até 2010.

O que se propõe no lugar da transposição é a democratização do acesso a água que deve ser uma política pública prioritária, em todo o Semi-árido. Propõe-se uma revitalização verdadeira com um amplo e coordenado programa exaustivamente discutido com a sociedade e a ciência e submetido a rigoroso controle social. É a Convivência com o Semi-árido como fundamento de desenvolvimento e com acesso a terra e a água, além das inúmeras tecnologias apropriada para o semi-árido, que trará mais eficiência, menos custos e mais justiça para o povo do Rio São Francisco e o povo do semi-árido brasileiro.

A Conferência apontou para a continuação das lutas contra a transposição e a ampliação desta discussão na sociedade.


Pelo Fórum de Articulação Popular em Defesa do Rio São Francisco.
Alzení Tomáz – Conselho Pastoral dos Pescadores e Articuladora do Fórum.

sábado, abril 05, 2008

CONFERÊNCIA COM DOM LUIZ CAPPIO E OS POVOS DO SÃO FRANCISCO


C O N V I T E

Lutadores e Lutadoras do Rio São Francisco e do Semi-árido,

Na continuidade das lutas em defesa do Rio São Francisco e do Semi-árido brasileiro contra a transposição, convidamos todas as comunidades, movimentos sociais, organizações populares, pastorais e igrejas, povos tradicionais, ongs, universidades e todos e todas que defendem a vida, à participar da Conferência com Dom Luiz Cappio e os Povos do São Francisco para discutir sobre os Impactos da Transposição nas nossas Vidas. Será no dia 26 de Abril de 2008, das 8:00 às 17:00, em Paulo Afonso – BA.

PROGRAMAÇÃO:

8:00 – Abertura – Acolhida, apresentação dos objetivos e da pauta
- Apresentação Grupo teatral – APDT

9:00 – Memória das Lutas do São Francisco e apresentação do projeto de transposição
- Apresentação do Vídeo: “Gesto de Sobradinho”

10:00 – Fila do Povo: falas e depoimentos, denuncias e proposições dos Povos Indígenas, quilombolas, Pescadores Artesanais, Fundo de Pasto, Atingidos por Barragens, etc: Impactos da Transposição em nossas vidas.

11:30 – Expressões artísticas da terra e da água

12:00 – Partilha do Almoço.

13:30 – Frei Luiz: Um Dom da Natureza – Memórias Afetivas do Seu Jejum em Sobradinho (Lançamento do Livro – Juracy Marques)

14:00 – Conferência com Dom Luiz Cappio: Impactos da Transposição em nossas vidas.
- Debate e esclarecimentos

16:00 – Ato Público de Encerramento – Encaminhamentos dos Compromissos da Conferência de Paulo Afonso e mística final.


Obs.:
. Cada caravana traga comidas típicas para partilhar no almoço dos povos
. Trazer símbolos que caracterize sua região e suas lutas para os momentos de mística e ornamentação.

São Francisco Vivo: Terra, Água, Rio e Povo!!

Contatos:
P/ Fórum de Articulação Popular em Defesa do Rio São Francisco
Alzení Tomáz – 75 9136 1022
Celina Santana – 82 9999 0320
Pedro João – 87 9617 6694
Juracy Marques – 75. 8111 9914/3282-0622

quinta-feira, abril 03, 2008

Dia da mentira do governo e da verdade do povo em outras partes do País

Nesse dia primeiro de abril o governo Lula ganha o título de mentiroso nacional
Pontes fechadas, acampamento e ocupação, paralisações de trabalhadores, panfletagem em diversas cidades, dentro e fora da Bacia do rio São Francisco. Essas são algumas das mobilizações que aconteceram durante a manhã de hoje (01) e que continuam durante a tarde, como parte das mobilizações do dia primeiro de abril, também chamado de “Dia da Mentira do Governo e da Verdade do Povo”.

As manifestações possuem como eixo central as mentiras divulgadas pelo governo Lula sobre o projeto de transposição de águas do rio São Francisco. Todavia estão sendo utilizadas nas mobilizações as mentiras que atingem diretamente as categorias de trabalhadores, tais como as reformas da previdência e universitárias. São coordenadas por organizações populares, povos e comunidades tradicionais.


São Paulo
A mobilização em São Paulo (SP) teve inicio ainda pela manhã quando o bispo Luis Flávio Cappio visitou uma ocupação com cerca de 600 famílias, ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Ainda no início do dia os metalúrgicos de São José dos Campos fizeram uma hora de paralisação.

Logo mais, a tarde, haverá coletiva de imprensa, às 17h, e ato público, às 19h. Entre os participantes a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL), Fábio Comparato e manifestantes ligados aos movimentos sociais.

Ceará
Hoje pela manhã mais de dois mil trabalhadores do setor da construção civil pararam as atividades por cerca de uma hora, em Fortaleza, e ainda houve paralisação em um terminal de ônibus. Segundo informações das coordenações dos atos, o tema central é o projeto de transposição de águas do Rio São Francisco e junto com ele são colocados outros projetos que estão na mesma linha.



Bahia
No início da manhã, mais de 500 manifestantes ligados às organizações populares, comunidades tradicionais e paróquias dos municípios de Casa Nova, Remanso, Juazeiro, Sobradinho, Bonfim, Pilão arcado e Campo Alegre de Lurdes, na Bahia, além de Petrolina (PE), montaram acampamento em frente à prefeitura de Casa Nova e ocuparam a sede da prefeitura.

O local foi escolhido por conta dos graves conflitos agrários envolvendo posseiros de uma área com cerca de 30 mil hectares e empresários que tentam grilar as terras ocupadas há mais de 100 anos. Os trabalhadores Fundos de Pasto dizem que a mobilização é “pra ver se nós conseguimos voltar para nossa área com segurança e dignidade”, diz Geová Almeida da Silva, 36.

Desde o início do mês de março, mais de 300 famílias enfrentam a ação violenta de seguranças armados e funcionários dos empresários que chegaram a destruir casas, roçados, pastagens de pequenos animais e trabalho com a apicultura. A ocupação não tem prazo para terminar. As atividades, no estado, tiveram início ontem com uma caminhada e panfletagem pelas ruas do município de Guanambi. Durante a tarde estão previstas panfletagens e reuniões em Serra do Ramalho e na região de Barra.

Em Salvador, a concentração acontece, nesse momento, na Praça da Piedade, onde haverá os lançamentos do relatório de Direitos Humanos e do filme “Além do jejum”, no final da tarde acontece um grande ato público.




Minas Gerais
A ponte que liga os município de Pirapora e Buritizeiro, em Minas Gerais, também foi fechada por manifestantes. A interdição durou cerca de três horas, com pelo menos 400 pessoas de Belo Horizonte, Montes Claros, Três Marias, Buritizeiro, Pirapora e Jequitaí. Em seguida houve uma passeata pelas ruas da cidade e durante a tarde acontece uma reunião na praça para troca de experiências, inclusive com uma brigada que luta por moradia na capital mineira.

Em Belo Horizonte as atividades acontecem durante a tarde na Praça Sete, onde está prevista a realização de um ato público.



Pernambuco
Em Recife o ato envolve professores universitários, trabalhadores dos correios – que entraram em greve hoje, anistiados políticos e os movimentos sociais. Eles se reúnem a partir das 15h na Praça Maciel Pinheiro.

Maranhão
Na capital maranhense a mobilização acontece no período da tarde, na Praça Deodoro.




Sergipe/Alagoas
Durante pouco mais de duas horas, centenas de manifestantes interditaram a ponte que liga os municípios de Propriá (SE) e Pôrto Real do Colégio (AL), no baixo São Francisco. Ligados à organizações populares e comunidades tradicionais dos estados de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Bahia, foram recebidos pela Polícia Federal, que tentou conter a ação, mesmo assim chegou a se formar um engarrafamento com mais de 10 quilômetros.

Contatos
Salvador (BA) – Zoraide Vilasboas (Comunicação): (71) 99984503
Salvador (BA) – Raquel Salam (Comunicação): (71) 91416293
São Paulo (SP) – André Luis Valuche: (11) 31077984/ 84192696
Recife (PE) – Rafael: (81) 87418238
Belo Horizonte (MG) – Frei Gilvander: (31) 91627970
São Luis (MA) – Uélbson (98) 88415243
Alto São Francisco (Pirapora) – Alexandre Gonçalves: (38) 91933693
Médio São Francisco (Guanambi e outras) – Samuel Britto (77) 91363080
Submédio São Francisco (Casa Nova) – Cícero Félix: (74) 91984001
Submédio São Francisco (Casa Nova) – Marina Braga: (74) 91358689
Submédio São Francisco (Casa Nova) – Maria Oberhofer: (74) 91156977
Baixo São Francisco (Própria) – Alzení Thomaz: (75) 91361022

Comunicação – Clarice Maia: (71) 92369841

Empresa NORCON Continua Ameaças contra Comunidade Pesqueira

Na região da Foz do São Francisco um dos maiores problemas vivenciados pelas populações tradicionais são as ameaças dos latifundiários que dominam as terras públicas. Terras de beira rio e pequenas ilhotas são desfrutadas pelos latifundiários como se fossem donos, impedindo as comunidades de viverem em seu ambiente tradicional de usufruir e de morar.

Agora é a vez da NORCON, empresa de construção civil que pretende construir um grande resort nesta região (grande hotel). Aliados aos latifundiários, a empresa ameaça as comunidades de expulsão e obriga pescadores a venderem coqueiros. A investida é uma forma de manter os moradores calados quanto a resistência no local. “Caso eles não vendam os coqueiros e se retirem deste lugar nós vamos vender esse local pra outra empresa que poderá ser pior do que nós”. Ameaçou um dos acionistas da empresa avisando aos moradores.

Os moradores da Resina descreveram: ”quando eles chegam é de helicóptero e com ar de superioridade como se fossem donos de nosso lugar, disseram que “lá vai ser meu campo de golfe”, disse um dos donos esnobando poder, se referindo ao lugar onde estão nossas casas”.

A Comunidade Resina possui cerca de 42 famílias pescadoras e pescadoras artesanais que tira do rio o seu sustento. A comunidade vive da pesca e de pequenas roças. No INCRA e na justiça tramita ação para garantir o uso e a regulação das terras públicas em favor da Comunidade.

Noticias do Baixo

1º de Abril dia da mentira do governo e da verdade do povo

Trabalhadores e trabalhadoras, entidades, organizações populares ocuparam a ponte do Rio São Francisco que dá acesso a Propriá - SE e Porto Real do Colégio - AL interditando-a por mais de duas horas, provocando um congestionamento de cerca mais de 5 km de cada lado.

Os protestos fizeram parte da luta da sociedade contra as mentiras do governo quanto ao projeto de transposição. No inicio da concentração a Policia Federal chegou com mandato de interdito proibitório, assinada pelo poder judiciário federal de Sergipe, impedindo que a manifestação ocorresse na ponte ou em qualquer trecho da estrada de Propriá, sob pena de pagar multa de mil reais, cada manifestante. Ninguém assinou o mandato e a polícia saiu sem maiores incidentes.

A principal mentira do governo é dizer que “a água é para matar a sede dos sertanejos”. A verdade é que a água é para o uso político e econômico do agronegócio e das forças políticas conservadoras da indústria da seca que sempre reinaram no semi-árido brasileiro.


Os protestos denunciaram os principais descasos e tornaram publica a situação de degradação da região do baixo São Francisco. O rio se encontra hoje com 1.100m3/s, vazão que inviabiliza a reprodução da vida aquática no Rio, os pequenos irrigantes estão em situação de colapso e as cidades a exemplo de Arapiraca está com todo seu abastecimento de água comprometido, muitos bairros estão sendo abastecidos com carro pipa. Mesmo com as fortes chuvas, o rio desce com água sujas, arrastando encostas e muita areia. Mas, ainda na altura da ponte de Propriá é possível enxergar as crostas de áreas no meio do Rio largo e assoreado. Na comunidade Resina no município de Brejo Grande as famílias estão bebendo água com forte salina por causa do avanço do mar.

O povo do São Francisco sofre as mazelas oriundas da violenta degradação do Rio e clama por justiça para que outras intervenções não ocorram em sua bacia. As obras da transposição condenarão por vez a vida do São Francisco. Transposição, quem tem sede não se engana e não se ilude com as mentiras do governo. A verdade do Povo contra a mentira dos poderosos deverá vencer.


Criação de tilapia e a Segurança Alimentar

No Lago de Itaparica durante a semana santa, agentes da Pastoral dos Pescadores visitaram estações de criatórios de tilapia em tanque rede. Foi surpreendente ver a quantidade de peixe boiando nos tanques, mortos, atrofiados pela superpopulação e com doenças causadas por agentes infecciosos: bactérias, fungos e vírus. Sob estresse a tilapia morre agonizada nos tanques sem oxigênio, contaminando outros peixes.

Para piorar é muito comum os criadores utilizarem antibiótico na ração dos bichos para aumentar o tamanho. No entanto, o uso de antibióticos em animais de criação em confinamento é polemico em varias partes do mundo, no Brasil, não existe uma legislação que regulamente o uso de antibióticos que podem provocar resistências bacterianas originadas pelo uso de antibióticos que deixam bactérias resistentes nos animais. Essas bactérias chamadas de estéricas são transmissíveis dos animais para as pessoas.

Sem nenhuma fiscalização é comum produtores utilizarem o uso de antibióticos de forma oculta. “Agente não pode dizer que usa antibiótico, tem que colocar na ração escondido porque não podem, eles dizem que é pra curar as doenças dos peixes, eles ficam com muita ferida no corpo, mas, se fosse uma coisa boa, precisava ser escondido?” disse um trabalhador dos tanques rede que não quis ser identificado com medo de represarias.

A criação de tilapia em tanque rede vem trazendo profundos impactos ambientais e culturais nesta região do Lago de Itaparica. Porém, é preciso discutir a criação de tilapia intensiva na bacia do São Francisco, não só nos riscos culturais e ambientais, mas, sobretudo como uma questão de saúde pública.